não sentia mais as mãos. a alma fora do corpo, o corpo fora do chão. o peso caindo. apenas o peso caindo. das lembranças. dos acasos. dos descuidos. temia o fim dentro de si mesmo. das noites vazias, dos trabalhos desperdiçados. do tempo.
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eu não sei, meu amor, o que é o amor. não sei aonde vão nossas palavras depois de serem ditas. o conjunto dessas inversões, brigas e alegrias, não sei a qual lugar pertencem, não sei. esqueço o que deve ser feito, ou o motivo de estar aqui. estou vazio. me perdi disso há muito tempo. você crê que não, e eu não entendo. as canções não me dizem mais nada sobre você, nem nunca disseram. a sua presença vazia me incomoda e dói, e não quero, nem sinto mais nada. você me faz perguntas demais, cobranças demais, me quer demais. isso sufoca e me desprende das vontades ao seu lado. preciso das outras cores, pessoas, convivências. você as afasta, não pede desculpas. é, você acha isso certo. não quero você aqui. vá dormir.
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eu peço, minha vida, por mais paciência. também tenho dúvidas e, sim, elas costumam acompanhar o medo. de estar sempre errando, de não ser esse o sentimento certo a se nutrir. afinal, o que é um sentimento? como desprendê-lo das ideias, da curiosidade, dos meus argumentos? eu sou o exemplo da não convivência. não, eu não sei lidar com pessoas. não, não sei lidar com você. esqueço tudo capaz de te magoar porque só lembro do que já me doeu, maltratou, feriu. se às vezes minha maior vontade é te expulsar de mim, da casa, da foto, da caixinha, por que eu insisto em reprimir isso? acordo um dia pensando “ele é meu amor, meu afeto”. durmo pensando no incômodo, na chateação, na intolerância, nas falhas e faltas de respeito, consideração. preciso de zelo, sim, às vezes quero atenção. você não faz questão. não quer me ajudar a estar com você. insisto em lutar por isso, mas por que deveria fazê-lo sozinha? não consigo acordar.







